Cotidiano & memória

Esses dias a ansiedade bateu.

Braba. Acho que foi por conta da editoração do meu original Contos infantis pra crianças grandes. Enfim, sairá pela @caravanagrupoeditorial. Não deveria ser fonte de grande ansiedade, pra quem escreve tanto. Mas… foi.

Aí, minha psicóloga pergunta: – medo de quê?

Não sei dizer ao que se deve o medo. Talvez de não ser lida? Ou será por ser lida e não aprovada? Será pela possibilidade de descobrir que não sou boa o suficiente? São tantas e tão diversas as variáveis de derrota… ou de vitória! E é justo nesse ponto que me dou conta de como ainda estou presa ao julgamento parental. Depois de tanto tempo de emancipada, hein? Pois é!

Ou será que as minhas expectativas quanto ao livro são reflexo de uma outra expectativa, também minha, com relação ao nosso futuro coletivo?

Como um pensamento sempre puxa outro, penso agora que crescemos, mas nem por isso deixamos de ouvir as vozes da censura. Isso me leva a refletir sobre o quanto estamos profundamente mergulhados em nossa infância social. O que, por consequência, me remete às sanções econômico-político-diplomáticas que atravessam o Brasil nesse momento.

Me parece – digam aí se estou enganada – que esse 2025 será visto pelos historiadores futuros como um divisor de águas, seja por conta do casal divino N’zazi e Bamburucema – Xangô e Iansã na tradição ketu – ou pela via de Saturno e Netuno entrando em Áries.

Para nós, candomblezeiros por herança, esse ano se rege pela justiça de N’Zazi. As togas estão aí para me dar razão, pautando nossa vida social pelos ditos do direito civil e criminal. Também é um ano de embates – Bamburucema é uma divindade de luta. Mas é, também, mãe. Por isso o ano é marcado pelas lutas das mulheres, suas causas e seus filhos.

Do lado da astrologia, a indicação é de um ano de mudanças significativas e estruturais. Não entendo nada de astrologia e muito pouco do Candomblé, mas o Google me dá indicações interessantes. De lá eu pesco que a conjunção entre esses dois planetas marca uma mudança coletiva. 

Na real, sei que aqui e agora, vale mais a afirmação de que é no hoje que se molda o futuro. Quem viver – ou sobreviver – verá o futuro que teremos. Mas, pelos indícios claros que nos entram pelos olhos e ouvidos, estaremos mais alinhados e fortalecidos com o Sul Global, que com o Norte em declínio.

Aí vem outro pensamento que me remete a Toffler. Em A terceira onda, ele aponta que, em momentos de crise e mudanças de paradigmas, os elementos do ancien régime tomam um grande ímpeto na tentativa de se manter como norteadores sociais, reforçando estruturas, valores e instituições para resistir à mudança.

Estou aqui, batucando as teclas e imaginando que estamos no patamar da mudança. Não é à toa que a onda de moralismo varre a sociedade. Também não é por nada que o antigo império ocidental tenta se manter na crista da onda. Apesar de ainda ter muita significância política e econômica, seu poderio simbólico já foi. Temos hoje outros polos de influência. Política e economicamente, também estamos navegando outros mares.

Puxando um pouco o assunto lá de cima, concluo que, como sociedade, já saímos da nossa infância tardia. E o que vivemos agora são as dores do parto de um país adulto.

Temos medo? Sim. Também temos coragem de arriscar. A antiga censura parental ainda vigora? Está claro que sim. Mas, apenas na boca de quem a pronuncia.

Para nós, sociedade brasileira, não fazem mais efeito as regras ditadas, as sanções prometidas, as restrições.

Demoramos a crescer. Mas agora, meu bem, beijim no ombro, e até mais ver.

Vou estender a roupa no varal.

Fui…

com bons argumentos de preferencia! Não fique aí parade! Critique, ou elogie, se for o caso. Ou comece uma discussão.