Sem pé, nem cabeça
O nome de Tito era Roberval.
E ele era o tipo maquiavélico, se é que você me entende. Fazia de tudo pra se dar bem.
Tinha seu charme, com o cabelo alourado que formava um pimpão, bem no estilo Elvis.
Começou que ele queria entrar na alta sociedade baiana. Não podia por causa do nascimento. Não tinha nome estrangeiro, nem Magalhães, nem Martins e muito menos Catharino. Por isso resolveu casar. Não por gosto, mas pra ter um destino melhor que o subúrbio onde tinha nascido.
Não foi um namoro muito longo, mas logo ele se meteu na casa da noiva e se deu a dar ordens como se nascido ali tivesse. Tomou-se de amores pelo sogro, um médio empresário de secos e molhados, e pelo cunhado, principal gerente da firma. Dos demais cunhados e cunhadas, primos e primas, não tinha muito por que se aproximar: não eram herdeiros, nem influentes.
Pra seu prazer, o sogro era bem relacionado com o Terceiro Comando da Capital. E, pensando bem, nada como ter amigos influentes com as Forças. Armadas. Foi o que pensou.
O casamento em si, não foi nada demais. Roberval, digo, Tito, fez questão apenas dos principais contatos do sogro e cunhado — o Coronel, alguns Maga, outros tantos Catha e Martins. Todos gente de baixo escalão, mas com nomes imponentes, se é que você me entende.
Quer saber o final?


