Cotidiano & memória. È quando imaginamos que somos bons homens e boas mulheres que a vida nos mostra nossa verdadeira cara.

Tá difícil começar a escrever.

O problema é o número de aconteceres aqui, dentro da minha cabeça e lá, no mundo de fora de mim.

Então, é melhor ir por partes.

Primeiro foi o choque do que aconteceu no Rio. O projeto de extermínio executado, que não resolveu, nem vai resolver o problema do crime.

Obviamente, todos sabem que foi uma ação inócua do ponto de vista dos resultados contra o crime, mas…

Abriu uma ferida. Imensa. Nos que perderam vidas, sonhos e esperanças. Mães e pais sem filhos, avós sem netos, irmãos e parentes que se foram.

Nada justifica a crueldade dos atos praticados. Nem as vidas perdidas.

Não se justifica a ordem dada. Não se justifica a invasão da favela. Não se justifica o uso da força letal.

Nessa chacina, perdemos todos também, como coletividade. Parte da nossa humanidade se desfez como poeira. Ou tomamos as rédeas e o rumo de nossas vidas como humanos, ou teremos que, finalmente, nos enxergar em toda a nossa pequenez e miséria ética.

Nunca tivemos, como humanidade, o direito de fazer o massacre de Gaza. E não tínhamos o direito de reproduzir Gaza em território brasileiro.

Também nossa indignação não nos serve para nada. Do que precisamos é que o futuro não nos envergonhe mais e tanto.

Há muito caiu o mito brasileiro do homem cordial. E quando o homem se torna o lobo do homem “qual futuro, então, virá?”

Então, era só isso. Um desabafo.

E mais uma crônica, tão inútil quanto as anteriores.

E hoje é meu aniversário. Posso comemorar, enquanto pessoa. E quanto a ser humano?

com bons argumentos de preferencia! Não fique aí parade! Critique, ou elogie, se for o caso. Ou comece uma discussão.