Brasilzão & política. Da jabuticabeira ao povo na rua: um olhar íntimo sobre a nova primavera brasileira.

Começo de primavera.

Árvores verdosas, meu pé de jabuticaba dando frutos, a azaléia florida.

E eu? Dou o que? Pensamentos confusos – o que mais tem na minha cabeça – e atos que repito sem pensar.

Ingenuidade, acho. Fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes. “Dessa vez, vai dar certo”. Não dá. E nem adianta chorar sobre o leite derramado. Foi.

De verdade, a primavera tem nada a ver com isso. Mas por muito tempo esperei setembro, como quem espera o salva-vidas no mar tenebroso de agosto.

Dos fins de junho ao fim de agosto eu mergulhava no meu inferno astral. E tudo o que tinha chance de dar errado, dava errado. A Lei de Murphy em pleno acerto. Meu humor descambava num buraco sem fundo. Pedia alta da análise; o psicanalista insistia em continuar; e eu, só de pirraça, fazia o trabalho malfeito.

Depois passou. Não sei se foi o inferno que fechou as portas, ou se eu cresci mais e melhor. Mas passou.

Hoje me deu vontade de cutucar esse monturo. Descobri que embaixo do lixo acumulado ainda tem fogo queimando. Como se dizia antigamente: “queima como fogo de monturo” – por baixo.

Mudando de assunto (ou não): é primavera! E começa bem, com o povo na rua. Povo das esquerdas, diga-se de passagem.

Eu andava ressabiada com a esquerda brazuca. A extrema direita é gritadeira, agitada e feroz. Nós, fieis esquerdistas, andávamos muito paz e amor. Woodstock em pleno trópico.

Mas domingo… ah, Domingo (maiúsculo)! Comecinho da primavera: brotamos nas ruas. Teve show de graça? Teve, sim. Teve Wagner Moura, Chico, Caetano, Djavan, Annita, Daniela e companhia. Teve charge, teve meme. E teve gente como eu e você também: calculam uns seiscentos mil – gente comum, mas nem tão comum assim. Gente com indignação, coragem e determinação pra mostrar ao mundo. E nem estou contando com os milhões que participaram do plebiscito. O que mostra que quando a esquerda se movimenta é pra valer.

Aqui é Brasil, porra! E tem brasileiro à beça! Parodiando a torcida do Bahia: “BBMP! Bora Brasil, Minha Porra”.

Lula está na ONU. Esse gás que a rua trouxe vai todo pra ele mostrar pro mundo de que matéria somos feitos. E ele vai falar. De democracia, da nossa democracia, que se não é perfeita é melhor que nenhuma. Vai falar de alianças, dos BRICS. Vai alfinetar com precisão cirúrgica os candidatos a xerife do mundo, vai falar de justiça e de justiça social.

Nós lavamos nossa alma nas ruas. Na ONU, Lula vai enxaguar e mostrar ao mundo.

Vai fundo, Lula da Silva. Vai fundo.

“Yes, nós temos bananas”. Mas não somos um país de bananas. Mostramos isso, não foi?

E a esquerda voltou a ocupar seu espaço.

É isso que eu tinha a dizer. Agora vou por a roupa pra secar e ver o feijão no fogo.

Fui…

   Dau Queiroz Crônicas. Revisão: Raimundinho. 22 de Setembro, 2025.

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