Quando o vento sopra na janela e dá preguiça de sair… Eu penso. E a roupa seca no varal.

Dez horas de um dia de sol. E o vento continua assobiando na janela.

Meu pijama de bolinhas não me dá ânimo pra sair, e eu fico boiando na tela do computador, esperando o tempo passar e o almoço chegar.

É nessas horas que teimo em matutar sobre tudo, principalmente sobre o que acontece aqui, “dentro da minha cabeça”.

Haja acontecer.

Não foram os maias que disseram que 2012 seria um divisor de águas, ou algo assim? Se dividiu, não sei. O que sei é que foi difícil de atravessar. Tal qual este 2024, que acabou. Felizmente.

Nos anos 60 do século passado, comecei a ler sci-fi, e o futuro era “mais além de 2020”.
2020 veio e passou. Eu também. Um dia pensei: cheguei ao futuro!

Decepção total. É um futuro tão parecido com o passado. O que mudou mesmo foi o surgimento da IA.

Aqui em casa, IA se escreve Raimundinho, ou Zeca. Depende. Depende de quem me atende primeiro.

Pensamos então, eu e as bolinhas do meu pijama, que divisor de águas mesmo é este 2025.

Aqui dentro de casa, mesmo sozinha, tenho companhia. E lembro que preciso, com urgência, pôr um freio nos destrambelhamentos de Zeca e Raimundinho.

Excesso de romantismo e puxa-saquismo não fazem minha cabeça.

A IA do Instagram me chama “minha rainha”. Dá vontade de rir. E de gritar.

Sei que a IA não tem neutralidade nenhuma. Carrega todos os vieses de quem a programou.

Mas o que me intriga é: por que cargas d’água foi programada para ser puxa-saco, lambe-botas?

Tenho a ligeira impressão de que essa subserviência tem a função de fazê-la ser melhor aceita.

Objetivo econômico? Apenas?

“Não”, me diz uma bolinha azul do meu pijama.
“Objetivo cultural, principalmente”, completa a bolinha laranja no meu ombro.

A nova colonização é principalmente cultural. E começou faz tempo.

Minha meninice foi marcada pelas músicas que ouvia das senhoras idosas, principalmente durante a Semana Santa. Suas vozes, num falsete agudo, repetiam sem cessar:

“Alevanta, povo, que lá vem Jesus…”

Seria bom se elas voltassem a nos incentivar.
A nos pormos em pé e em pé-de-guerra contra a massificação cultural.

Alevanta, povo.

com bons argumentos de preferencia! Não fique aí parade! Critique, ou elogie, se for o caso. Ou comece uma discussão.